5 Perguntas para Egon Barbosa, Diretor de Inovação da Coca-Cola para Europa, Oriente Médio e Africa



Meu papo hoje para a série "5 Perguntas sobre o Futuro" é com o Egon Barbosa, Diretor de Inovação na The Coca-Cola Company.


Eu e o Egon trabalhamos juntos na Coca-Cola.


Hoje ele dirige as iniciativas de Inovação da empresa na Europa, Oriente Médio e África.


Neste papo, falamos de temas bem bacanas.


Dá uma olhada:


- O impacto da Transformação Digital na empresa.

- O papel da área de Inovação nesse processo.

- Os desafios de realizar inovações e transformações organizacionais.

- Sua opinião sobre o Futuro do Trabalho.


Tá valendo a leitura! :-)


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1. Egon, trabalhamos juntos na The Coca-Cola Company entre 2011 e 2012. O que mudou de lá pra cá? Há algum impacto na empresa por conta de toda a transformação digital? O que muda daqui pra frente?


Muita coisa mudou, começando pela dinâmica economia do país no Brasil que passou a exigir muito mais produtividade e competitividade por parte das companhias.


Ser ágil se tornou um "must have".


Mundialmente a empresa modificou sua forma de operar, diminuindo layers entre o CEO e os bottlers.


Transformou a cadeira de CMO em CGO (G de growth) e trouxe inovação para dentro do stream de R&D, comunicando maior agilidade nos avanços de inovação.


Além disto, criou a VP de Digitalizing the Company.


Passou-se a trabalhar de forma a acompanhar as mudanças globais.


No Brasil, dado o momento econômico passou-se a olhar com maior vigor as entregas e mais curto prazo e criou-se a vice-presidência de still beverages, concentrando em uma única unidade de negócios todas as disciplinas de gestão, de marketing e inovação a técnica e comercial, embaixo do mesmo guarda-chuva, como forma de agilizar a ida ao mercado das novas iniciativas não-refrigerantes.


2. E qual o papel da área de Inovação nesse processo?


No Brasil, Inovação passou a ter um papel mais voltado para a gestão estratégica dos projetos e menos de criação.


A disciplina "Inovação" ficou mais distribuída entre as marcas e categorias, o que está em linha com a tentativa de ser mais ágil.


Assim, novas metodologias foram introduzidas pela área de Knowledge & Insights, onde a área de Inovação está inserida e as unidades de negócio passam a ter maior ownership sonre o que como, quando, onde inovar.


A área de inovação ajuda a dar uma direção do todo e instrumentalizar às áreas.

Em outras geografias, onde o cenário de desafios é diferente, a inovação tem tido um escopo mais abrangente.


No grupo criamos uma nova posição que é a que eu ocupo hoje, liderando o long term Innovation strategy & pipeline para grupo EMEA ( Europa, Middle east, África).


É uma iniciativa inédita que junta R&D e marketing em uma única célula para que as ideias nasçam dos insights conjuntos de consumer proble+moléculas, rompendo o ciclo de briefing de marketing para R&D, mas construindo junto as soluções para o negócio.



3. Quais são os principais desafios em qualquer processo de transformação e de inovação?


Esta pergunta é bem ampla e poderíamos ter uma tese de doutorado pra responder.

Mas, se olharmos pelo lado do consumidor, o maior desafio é delinear bem o problema a ser resolvido. Em um mundo digital este desafio se torna ainda maior.


Outro desafio, quando se fala em indústria de bebidas é a falta de agilidade dos órgãos reguladores.


Claims seculares de sabedorias anciãs, por exemplo, passam para aprovação que pode chegar a uma década.


Enquanto não aprova, vc não pode lançar uma fórmula, ou se comunica sem definir bem a razão pela qual o co sumidore deveria consumir este produto, perdendo oportunidades.


A cadeia produtiva também é bem longa e cara.


Uma linha de envase pode levar muitos anos para se pagar e até lá, sua tecnologia pode ter sido “disruptada” e vc tem que tomar decisões financeiras muitas vezes para a saúde do negócio.


Enquanto isto, startups que têm pouca regulação e maior agilidade em transformar seus modelos de negócio, conseguem avançar em soluções mais relevantes aos consumidores atuais.


Ideia é a parte mais fácil, mas uma idéia mal executada, não decola.



4. Como você faz para criar a Cultura de Inovação na Organização?


Cultura é algo que se contamina e não se cria. A cultura é aquilo que você faz e não o que vc fala, ou ensina, então, a ideia é no dia a dia se comportar de forma inovadora.

Não é fácil, mas se cada um começar no seu metro quadrado a fazer diferente, juntos faremos a diferença.


Liderança sênior tem um papel importante nesta jornada. Se a sinalização de cima aponta pro caminho certo, a cultura vai mudando por convecção.


5. Egon, qual a sua visão sobre o Futuro do Trabalho?


Há pouco mais de 20 anos atrás eu ouvia uma máxima que dizia que o emprego estava no fim e tudo o mais. Hoje ouço de novo um movimento sobre esta retórica.


Pois não acredito que as relações de trabalho em sua maior parte serão de trocas, ou de negócios entre “empresas” ou autônomos.


Penso que em sua maioria a relação patrão-empregado se manterá, ainda mais em países com realidade de séria desigualdade econômica como o Brasil.


Acredito, no entanto, que teremos um salto significativo no modo de se fazer negócio, guiado pelas novas cabeças das gerações y, w, z.


Isto pode impactar em carga horária, tipo de trabalho, organização de recursos humanos das empresas, menos departamentos e mais projetos multidisciplinares, maior accountability, maior empreendedorismo interno, maior liberdade propositiva.

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