5 Perguntas sobre o Futuro para Henrique Vailati, Diretor de RH da Roche Diagnostics



Bem-vindo ao 2o papo dessa 3a temporada do "5 Perguntas sobre o Futuro"!


Abrimos a temporada na semana passada com um papo fantástico com a Gabrielle Botelho, Diretora de RH da CGG para a América do Sul. Se você não leu, é só clicar aqui para conferir.


Meu convidado hoje é o Henrique Vailati, Diretor de RH da Roche Diagnostics. Em sua trajetória como Executivo de RH, o Henrique atuou também em grandes empresas como a BD e Novartis.


Eu e Henrique temos amigos em comum e tivemos profissionais que, coincidentemente, fizeram parte de nossas equipes em diferentes momentos da carreira. Mas nos conhecemos pessoalmente há relativamente pouco tempo.


Tivemos a oportunidade, há uns 2 ou 3 anos, de participar de um Painel juntos sobre Carreira em um Evento para Líderes. Desde então, de tempos em tempos, tomamos um café e almoçamos, para trocar ideias, experiências e aprendizados.


Nesse papo, você pode conferir as visões do Henrique sobre:


  • O Futuro do Trabalho, dos Negócios e das Organizações.

  • O Impacto dessas transformações nas grandes empresas.

  • O papel do RH nesse processo.

  • As mudanças no significado de Carreira.

  • Suas Estratégias de Autodesenvolvimento.


Aproveite! E lhe convido a deixar suas impressões no post no LinkedIn!


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1. Henrique, qual a sua visão sobre o Futuro do Trabalho, dos Negócios e das Organizações nos próximos anos?


Os próximos anos serão marcados por muitas transições com o modelo ainda tradicional sendo transformado e convivendo com um modelo novo.


O modelo novo será um modelo onde você terá uma hierarquia definida cada vez mais pelo conhecimento - que se fala muito de liderança situacional. Então, para determinados projetos, você vai ter alguém que vai estar liderando esse projeto e vai estar no comando de acordo com a capacidade necessária para aquela finalidade. E a pessoa que tiver mais conhecimento nesse tema vai ser o líder.


Serão cada vez mais organizações que trabalharão com essas lideranças situacionais. Organizações que eu acredito que terão cada vez mais sinergias com segmentos e atividades que até hoje seria algo inimaginável.


Vamos ver, por exemplo, empresas como o Google que pode muito bem daqui algum tempo estar 100% dentro do segmento da saúde e, quem sabe, estar trabalhando em parceria com o mundo Farma para produzir medicamentos através do conhecimento de Big Data que eles têm.


E eu acho que esse tipo de quebra de fronteiras e de barreiras vai existir cada vez mais. E isso vai servir pra cada vez mais diferentes negócios também. Uma Amazon não será só uma empresa de venda de produtos ou de logística. Ela pode também estar envolvida em diferentes frentes de de negócio. A Roche, por exemplo, está envolvida com muita tecnologia. Eu acho que esse essas fronteiras cada vez elas vão ficando menores e ao mesmo tempo os horizontes muito mais amplos pros negócios.


2. Você hoje é Diretor de RH da Roche Diagnostics e atuou em grandes organizações como BD e Novartis. Qual o impacto de todas essas transformações no jeito de atuar das grandes empresas? O que ainda precisa mudar?


Eu acho que a primeira coisa que as empresas precisam começar a repensar é o ressignificado do contrato de trabalho delas com talentos. Desde aqueles conceitos que precisam ser revisitados como retenção de talentos.


As empresas precisam ir além: elas tem que investir na retenção de conhecimento. Então elas tem que contratar talentos pra desenvolver conhecimento e fazer com que o conhecimento fique dentro da organização.


As empresas precisam repensar como é que a cultura pode permear o ambiente de uma determinada maneira que, mesmo quando eu troco as pessoas dentro da organização, essa cultura seja mais forte do que necessariamente as pessoas.


Outra coisa que eu acho importante é que, considerando que a população está envelhecendo cada vez mais, como é que eu adapto modelos de trabalhos diferentes, de acordo com essas gerações diferentes.


E recentemente você, André, publicou um artigo que eu acho que está muito ligado em como uma empresa consegue ser global, mas tirar o melhor possível da cultura de cada local. Eu acho que as empresas vão ter que voltar um pouco pro modelo de respeitar, enfim, as diferenças locais pra poder tirar o melhor de cada cultura de cada país onde ela atua.


E o que eu acredito que é como as pessoas parem de fazer "benchmarck". Eu acho que as empresas têm que começar cada vez mais procurarem qual é o DNA delas - enfim, como é que elas atuam e encontram a sua essência pra elas desenvolverem modelos de de empresas que tenham a ver com a missão e com a visão que elas querem.


3. E no RH? O que precisa mudar na atuação do RH? Qual é o Futuro do RH?


Eu acho que o que RH precisa mudar é aquilo que o RH vem falando há anos e ainda não conseguiu mudar: o RH tem que ser um agente que facilite o negócio. Isso pode significar ser um agente de mudança, pode significar ser um Business Partner estratégico... mas, no final das contas, o RH tem que sair do backoffice e sair dos processos de RH.


O RH tem que atuar, primeiramente, na minha visão, como alguém que, de fato, entenda do negócio. E, segundo, alguém que consiga ligar a estratégia de pessoas com a estratégia de negócios. Porque aí você consegue efetivamente aconselhar e ajudar o negócio a se desenvolver.

Embora tenhamos autores como o autor de "Sapiens" que diz que o trabalho daqui a 50 anos não vai existir mais, que tudo vai ser feito por inteligência artificial, etc. Pode ser que seja verdade, mas eu acredito que vão existir outros tipos de requisitos e outros tipos de atividades que vão exigir o ser humano, do papel do ser humano.


E esse é um dos grandes papeis do RH que eu acho que está se perdendo. O RH tem se voltado muito para processos, implementação de ferramentas, Workday, etc. E falta exatamente o olhar pro indivíduo. Olhar pro indivíduo como funcionário e o indivíduo como organização.


Quem é nossa organização? Qual é a Cultura que a gente quer criar? O que isso significa pro negócio da organização? Qual é o impacto que a gente precisa trazer? Quais são as competências que a gente precisa desenvolver diante dos desafios do negócio?

Então, o RH vai ter que ter uma leitura do negócio pro indivíduo e do indivíduo pro negócio, como via de mão dupla. E isso hoje não acontece.


Muitas vezes, o que acontece é que ou se tem uma visão muito miope do negócio (e não consegue efetivamente ajudar a construir um time que consiga responder pra essas questões) ou se tem uma visão muito distante de pessoas, o que também não ajuda em absolutamente nada. Então, o RH vai ter que desenvolver esse balanço entre visão de negócio e pessoas muito bem feito.


4. O que mudou no significado de "carreira" desde que você iniciou a sua trajetória profissional? Quais as suas recomendações para quem deseja crescer e se desenvolver profissionalmente?


Basicamente uma coisa que não é novidade: primeiro, eu sou o protagonista da minha carreira. Eu devo decidir o que eu quero fazer, como eu quero fazer e onde eu quero chegar.


Segundo é que carreira não significa mais efetivamente trabalhar no emprego formal dentro de uma empresa e ter uma crescente dentro da organização. Sempre se falou nas empresas em carreira em Y, em carreira multidisciplinar...


Eu brinco que, com quase 44 anos, eu quero definir carreira como carreira em W: você tem ascendentes, descendentes, idas e vindas... uma carreira onde você consegue ir pra várias direções e, ao mesmo tempo, você tem que estar aberto pra, enfim, aprender coisas novas.


Então, carreira, no meu ponto de vista, não significa mais escada, não significa mais, necessariamente, um ganho de poder. Significa ganho de conhecimento.

E significa como você consegue se atualizar. Como fazer o updated do seu "iOS" (ou qualquer outro software que você usa) pra continuar sendo rápido, ágil e moderno com os novos "aplicativos" de conhecimento que o mundo está lhe dando.


Então, eu acho que a gente não fala mais de carreira. Não sei se a palavra correta é essa, mas é sobre ser atualizado, de ter serviços que você possa prestar e vender de uma maneira extremamente adaptada e, às vezes, até futurista para o que o mercado tem de de necessidade.


5. Como você faz para se desenvolver?


O mundo de hoje não tem mais fórmulas de desenvolvimento únicas. Então, você tem várias opções. Para mim, o desenvolvimento, ela acontece de várias maneiras.

Coisa simples, como por exemplo, estar conectado com pessoas que você possa trocar ideias, criar grupos de discussões... Eu participo de dois ou três grupos onde há profissionais de RH atuando e também Grupos onde não há profissionais de RH atuando.


Eu tenho feito coaching, de uma maneira informal, com pessoas de carreiras diferentes e de segmento diferentes que o meu - e que me trazem muitos aprendizados.


Ler bastante e não ler só assuntos de RH. Ultimamente, na verdade, tenho lido livros dos mais variados possíveis, como biografias. Procuro me atualizar o tempo todo: filmes, passar por experiências diferentes como viagens, participa eventualmente de algum tipo de Congresso de RH, estar o tempo todo com outros colegas que trabalham em segmentos diferentes e que tem visões diferentes...


No final do dia, você tem que estar com a cabeça aberta pra estar em contato com o universo.

Eu sempre digo isso: enquanto você está o tempo todo dentro do escritório, às vezes por 12 horas, cinco dias por semana, tem gente do outro lado do mundo ou, às vezes, ao seu lado, na sua vizinhança, desenvolvendo a cura da AIDS, trabalhando a cura do câncer, desenvolvendo a nova maneira de chegar a Lua, encontrando uma forma de efetivamente acabar com a fome, a miséria do mundo, trazendo tecnologias disruptivas....


Se você não tiver aberto pra essas coisas e só estiver focado nos temas que você trabalha pro segmento onde você trabalha, você vai perder oportunidades de, inclusive, trazer ideias disruptivas e questionamentos para a sua organização.

É sempre importante estar vendo, estar aprendendo, estar olhando pra tudo. Você consegue aprender desde assistindo uma peça de teatro, uma apresentação de Balé e em um show de Rock, onde você olha a performance de uma banda e como tudo aquilo é construído, uma palestra de algum profissional, executivo... Enfim, olhar para tudo que lhe traga algum tipo de aprendizado. Então, eu procuro ter a minha experiência o mais abrangente possível.


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Quer saber quem já participou da série "5 Perguntas sobre o Futuro"?

Seguem as entrevistas da 2 primeiras Temporadas:


Temporada 1 (2018): Clique aqui para acessar.



Temporada 2 (2019): Clique aqui para acessar.



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