Os impactos do 'Anywhere Office' para a sua carreira e para as empresas



Um efeito imediato que ocorre quando o trabalho se torna realmente remoto é que caem as barreiras geográficas - tanto para as organizações quanto para as pessoas.


Trabalho remoto não quer dizer fazer home office de vez em quando. Trabalho remoto significa que você não precisa necessariamente estar fisicamente em um escritório específico em uma cidade.

O profissional passa a trabalhar de qualquer lugar. Pode, se desejar, atuar dentro ou fora da empresa. Daí é que vem a ideia e conceito do "Anywhere Office" (escritório em qualquer lugar).


É claro que o 'Anywhere Office' não é algo aplicável para todas as atividades em uma empresa. Mas para alguns cargos é indiferente se a pessoa está trabalhando de São Paulo, Passo Fundo, Teresina ou Cuiabá. E em outras situações, pode ser indiferente, inclusive, se está em outro país... pode ser em uma cidade no México, nos EUA, na China ou na Alemanha.


Veja: o 'Anywhere Office' está longe, muito longe de ser uma prática estabelecida, mas já existe há bastante tempo.


Eu mesmo já fui contratado para cargos que poderiam ser executados por profissionais baseados em qualquer parte do mundo. Já atuei de forma 100% remota por um bom período. Mesmo trabalhando em uma posição global, passava a maior parte do meu tempo no Rio de Janeiro enquanto meu chefe estava na Alemanha e meus pares espalhados em outras cidades do mundo.


Não havia necessidade de ir ao escritório do Rio ou de São Paulo - a não ser que eu quisesse conversar com meus colegas de empresa.


Todo esse movimento em torno do trabalho remoto pode se tornar uma ameaça ou uma oportunidade para a sua carreira.


Muita gente não reflete sobre isso, mas da mesma forma que o trabalho remoto permite que uma atividade seja realizada de qualquer lugar, o contrário também pode ser verdadeiro. Dependendo do escopo, profissionais de qualquer lugar do Brasil (e até do mundo) podem fazer essa atividade.

Na prática, nessas situações, você não vai competir apenas com outras pessoas da sua cidade por um trabalho. Você poderá competir com candidatos de todo o Brasil. E, em alguns casos, você poderá competir com profissionais de diversas partes do mundo.


Isso permitirá o acesso a vagas com trabalho remoto em outras cidades em todo o Brasil e no Exterior. O profissional trabalha de qualquer lugar e pode atuar em uma equipe com profissionais de diferentes cidades.


Mas, da mesma forma que isso dará acesso a diversos profissionais a vagas a diferentes cidades, haverá concorrência de profissionais de diferentes partes do país - e até do mundo.


Para quem já atua de forma mais autônoma, tendo uma empresa individual, isso pode representar desde já uma baita de uma oportunidade para desbravar novas cidades, novos países e novas culturas.


Alguns podem até migrar e atuar de qualquer lugar do mundo (como fazem os nômades digitais), mas não precisa ser uma regra. Até porque muitos preferem ou precisam (filhos, por exemplo) estar baseados em uma cidade específica.


Mas a pergunta é: será que as pessoas estão preparadas para competir por oportunidades com profissionais de diversas partes do país e do mundo?

Essa é uma reflexão importante para quem curte e se adapta bem ao trabalho remoto.

Seguem três perguntas que podem ajudar nessa reflexão:


Pergunta 1: Ao comparar o que você faz com o perfil médio de profissionais que fazem o mesmo que você na sua cidade, como você se autoavaliaria? E em seu país? E fora do país? Suas realizações estariam acima dos demais profissionais do mercado em geral?


Se você tiver alguma dificuldade para responder a essa pergunta, vale a pena pesquisar mais sobre como anda o mercado onde você atua na sua cidade e em outras partes do país e do mundo.


Imagine o seguinte cenário: se de um dia para o outro profissionais de todo o Brasil fossem competir pelo cargo que você tem hoje (ou um cargo que você deseja na sua empresa), como você estaria nesse processo? Não tem ideia? Converse com colegas de RH, converse com headhunters, leia sobre o seu mercado, conheça as tendências.


Pergunta 2: Como anda o seu inglês?


O inglês não é importante só para poder competir por oportunidades com profissionais do exterior. Ele é fundamental para o seu autodesenvolvimento. Mais de 90% do melhor conhecimento sobre negócios no mundo está em inglês.


Se você fala, lê e escreve em inglês, você conquista diferenciais importantes para a sua vida pessoal e profissional:

  • Trabalhar em carreiras que envolvem interação com profissionais no exterior ou empresas com presença global.

  • Ler livros que podem nem ser lançados no Brasil ou ler os lançamentos primeiro que todo mundo.

  • Assistir a vídeos, cursos e palestras em inglês.

  • Realizar reuniões com outras pessoas de outros países presencialmente ou virtualmente.

  • Ler blogs de experts na sua área de atuação.

  • Realizar palestras e apresentações em inglês.

  • Participar de Congressos, Eventos e Conferências aqui no Brasil (ou até no Exterior) com palestrantes estrangeiros. Além de entender tudo, quem sabe até conversar com eles após a palestra.

  • Estabelecer contato com diferentes culturas em viagens internacionais.


O mundo cada vez mais hiperconectado vai demandar que você, cada vez mais, saiba falar, ler e escrever muito bem em inglês.

Há excelentes opções para aprender. Eu mesmo aprendi inglês aqui no Brasil. Aprender inglês me permitiu trabalhar com diferentes culturas ao longo da minha carreira e a liderar equipes distribuídas em diferentes países.


Sem o inglês, eu jamais teria tido esta experiência. Falar, ler e escrever muito bem em inglês abre um novo mundo de possibilidades para qualquer profissional.


Pergunta 3: Se você identificar que o trabalho remoto é algo que está próximo da sua realidade, como anda o seu Plano de Desenvolvimento para se preparar para este desafio?



Um novo mundo para as Empresas e a forma de gerir Talentos


Nesse novo cenário, os talentos não precisam morar próximos à sede da empresa.


Mesmo com a sede da empresa sendo em São Paulo, se uma atividade é remota, nada impede que um profissional que mora no interior do Brasil seja contratado para exercer essa função - sem que tenha que morar em São Paulo.


E dependendo da atividade, pode ser um profissional que viva até em outro país, como aconteceu comigo há mais de 10 anos. Fui contratado para uma posição global concorrendo com profissionais de diferentes países.


Ou seja, para determinadas vagas, não importa onde esse profissional está morando ou trabalhando - daí a ideia do "Anywhere Office". Algumas empresas até oferecem esse formato de trabalho como um benefício para atrair talentos.


Muitas empresas nos EUA estão saindo de cidades mais caras como San Francisco e indo para outras regiões nos EUA, mas continuam contratando profissionais de San Francisco e de outras partes do planeta.


A briga por talentos, para certas atividades, poderá se tornar nacional ou até global. Na verdade, já é em diversos ramos, como nas empresas de tecnologia.

As áreas de RH precisarão se adaptar


As áreas de RH nas empresas precisarão se adaptar em todo o ciclo de um profissional em uma organização. Para profissionais que atuam remotamente, muda a forma de atrair, contratar, fazer onboarding, desenvolver, remunerar...


A questão da remuneração é uma grande incógnita, pois parte da conta para se calcular o salário de uma pessoa é o quanto se paga por aquele trabalho em uma região. E se a empresa decidir contratar profissionais para essas vagas em cidades onde o custo de vida e menor - e por consequência os salarios forem mais baixos.


Vale ler essa matéria da Revista FastCompany sobre o assunto (em inglês).


Imagine a reviravolta em diferentes processos de RH e na forma de gerir talentos em uma empresa. Essas mudanças para o RH valem um post só para compartilhar algumas ideias sobre essa transformação!


As Organizações que são hoje 100% remotas são as grandes pioneiras nesse tema e podem ser fontes ricas de aprendizado para as empresas em geral


Há organizações que já subvertem essa lógica do trabalho presencial há alguns anos.


Não, não estamos falando de políticas de home-office ou de ter alguns profissionais trabalhando de forma remota.


São organizações 100% remotas.

Muitas sequer têm escritórios.


Se você quiser saber um pouco mais sobre as organizações remotas, é só clicar aqui ou na imagem abaixo.

Elas serão fontes riquíssimas de aprendizado para as empresas daqui pra frente.


Lembre-se: o 'Anywhere Office' não vai servir para todas as empresas.


Para algumas empresas, o 'Anywhere Office' pode, inclusive, representar um belo tiro no pé na produtividade. Os motivos são inúmeros. Desde elementos relacionados ao modelo de negócio, seus resultados, sua cultura e perfil da liderança.


Um exemplo bem famoso aconteceu no Yahoo!. Quando a Melissa Mayer era CEO da empresa, ela reconvocou todos os funcionários que trabahavam remotamente para atuar em seus escritórios tradicionais.


Se quiser saber mais detalhes, faça uma pesquisa no Google pois foi uma decisão super controversa na época.



Por outro lado, algumas empresas começam a se movimentar em direção ao trabalho remoto


Duas empresas do mundo da tecnologia que se manifestaram recentemente sobre o trabalho remoto assunto foram o Twitter e o Facebook.



"Seremos a empresa mais avançada em trabalho remoto considerando o nosso tamanho e escala.", diz Zuckerberg nesse artigo que saiu hoje na "The Verge". "Precisamos fazer isso de uma maneira ponderada e responsável. Mas acho que é possível que nos próximos cinco a dez anos. Acho que podemos chegar a cerca da metade da empresa trabalhando remotamente permanentemente ”.

É importante lembrar que atualmente são quase 50 mil pessoas trabalhando no Facebook globalmente. Estamos falando de cerca de 25 mil pessoas trabalhando remotamente nos próximos anos. Na entrevista para a "The Verge", Zuckeberg diz que muitos dos funcionários em todo o mundo poderão solicitar uma mudança para o trabalho remoto já.


No Twitter, o CEO e Fundador da empresa, Jack Dorsey, anunciou que, mesmo após o fim da pandemia e o retorno às atividades no escritório, trabalhar em casa será permanente para aqueles que preferirem o modelo e estiverem em cargos que permitam o trabalho remoto.



O 'Work Anywhere' pode não servir para todos os profissionais.

Pode não servir para diversos modelos de negócio.

Pode ser inviável para muitas empresas.


Mas é algo que começa a aparecer aqui e ali. E pode ter sua curva de crescimento mais acelerada em um momento que muitas empresas perceberam que nem todas atividades precisam ser realizadas presencialmente.


Empresas vão utilizar essa estratégia para buscar talentos globalmente.

Vão utilizar como ferramenta de atração e engajamento de talentos.

Muitas utilizarão como diferencial de desenvolvimento de seus líderes e equipes.


Profissionais que gostem de autonomia serão os primeiros a se sentirem atraídos pelo 'Anywhere Office'. Por outro lado, o modelo pode representar, como falei, uma ameaça para aqueles que venham competir com profissionais de diferentes partes do Brasil e do mundo.


Cabe a cada empresa e a cada profissional identificar os riscos, as ameaças e oportunidades que o modelo pode gerar para o seu futuro. De ambos os lados, é uma transição que demanda investimento de tempo, energia e dinheiro.


Não é algo fácil e simples de implementar, mas o fato é que é algo que já está acontecendo há alguns anos e que está sendo acelerado em função da pandemia.


E aí? Pronto para trabalhar de qualquer lugar?


Um abraço e até a próxima!

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