O trabalho virtual atrapalha a inovação?



O trabalho virtual atrapalha a inovação? A Microsoft realizou o estudo Global Trends Index 2021 com mais de 30.000 pessoas globalmente e analisou bilhões de dados de reuniões. E esse estudo revelou a seguinte tendência: a mudança para o trabalho remoto enfraqueceu as redes que as pessoas tinham com outras áreas dentro das empresas.

No início da pandemia, a análise mostrou que as interações com as redes próximas no trabalho (equipes dentro da mesma área, por exemplo) aumentaram. Por outro lado, as interações com outras redes (demais áreas da empresa) diminuíram.


Ou seja, durante esse período de trabalho remoto, houve, em geral, aumento dos silos nas empresa. E isso é um grande desafio para as organizações. Afinal, as redes de trabalho fortes e o contato com profissionais e ideias de diferentes áreas impactam diretamente duas coisas importantes para os resultados: produtividade e inovação.


Os resultados da pesquisa também mostraram que as pessoas que se sentiam mais produtivas também relataram redes de trabalho fortes. Por outro lado, quem relatou redes de trabalho mais fracas relataram dificuldades em atividades que levam à inovação, como pensar estrategicamente (-9%), colaborar ou fazer brainstorming com outras pessoas (-10%) e propor novas ideias (–9%).

E você? O que acha?

Concorda com a pesquisa?

O trabalho virtual atrapalha a inovação?

O que sua você e sua equipe fazem de diferente para continuar inovando mesmo virtualmente?


A nossa opinião sobre esses resultados:

Nossa opinião é a seguinte: para a inovação acontecer em um ambiente virtual, a forma de criar e trocar ideias precisa se adaptar a essas condições. Não dá para replicar o formato presencial de criação de ideias e soluções no formato virtual. Se isso for feito, com certeza o trabalho virtual vai atrapalhar na inovação. E é claro que se não gerarmos oportunidades para as interações com outras áreas, o isolamento das pessoas e de cada equipe aumentará.


Mas compartilho com vocês abaixo um exemplo entre tantos outros que vivenciei na carreira que mostram que é possível superar esse desafio. Muito antes do período de pandemia acontecer, eu liderava um grupo de 8 pessoas de diferentes nacionalidades distribuídas em diferentes partes do mundo para criar e implementar um Programa Global de Desenvolvimento de Líderes em mais de 100 países. Esse grupo precisou criar, virtualmente, soluções totalmente novas para um programa de desenvolvimento que poderia ser executado de 3 formas distintas em cada país:


  1. 100% virtual

  2. parcialmente virtual e presencial.

  3. 100% presencial.


Todo o projeto mesmo considerando a execução de 3 formas diferente foi criado virtualmente em apenas 6 meses. A execução do piloto do programa foi realizado em duas cidades na Polônia. Com os ajustes do Programa Piloto, a implementação foi realizada em 3 ondas: 25 países na onda 1, mais 25 países na onda 2 e os países restantes na onda 3.


O ano era 2009/2010 e tudo foi criado de maneira inovadora e de forma 100% virtual sem a metade dos recursos de colaboração virtual que temos atualmente.

Além desse exemplo específico, há diversos outros que liderei e vivenciei que mostraram que é possível criar e inovar mesmo virtualmente.


Mas para isso acontecer, é preciso que equipes e líderes saibam como fazer isso virtualmente. É preciso uma série de ações off-line para que a colaboração on-line dê resultados e possa gerar inovação. Para acelerar esse processo em qualquer organização, é preciso desenvolver essa capacidade em todos os níveis da empresa. Não é uma jornada fácil. Alguns terão mais desafios que outros.


Porém, é preciso iniciar essa jornada de desenvolvimento em toda a organização. Afinal, o trabalho virtual e o trabalho híbrido farão cada vez mais parte da nossa realidade nos próximos anos. E o fato das pessoas não saberem liderar e trabalhar dessa forma é que pode ser a maior barreira para a inovação em qualquer empresa.

 





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