"Pai, porque eu preciso de professor?"

Era um dia como outro qualquer. Cheguei em casa e comecei a conversar com o João, meu filho, na época com 4 anos, sobre o seu dia na escola, o meu dia no trabalho... Papo vai, papo vem, quando de repente o João me solta o petardo:


Pai, porque eu preciso de professor?


A pergunta do João, apesar de extremamente provocativa, não poderia ter vindo em momento mais propício. No dia seguinte, eu faria uma Palestra exatamente sobre "Desenvolvimento na Era Digital"...


E acabei estruturando toda a palestra com base nesta pergunta poderosa do João.


Ficou muito claro com a pergunta do meu filho sobre o modelo mental da nova geração... Na cabecinha dele, com apenas 4 anos, ele já questionava o modelo de ensino-aprendizagem criado há centenas de anos...


É claro que a minha resposta para ele foi a da valorização do professor. Da sua importância para o seu desenvolvimento. Do quanto é complementar à educação e aos valores que são desenvolvidos no dia-a-dia, com a família.


Por outro lado, me fez refletir muito sobre elementos relacionadas à nossa vida profissional.


Por exemplo:


Em nosso papel como líderes e como profissionais diante dessa Revolução que já acontece bem na nossa frente.


No papel do RH e na forma com que os Treinamentos vão precisar mudar, indo muito além da sala de aula - que, a propósito, deverá ser muito mais um ambiente de discussões, debates e práticas.


E do nosso próprio auto-desenvolvimento nesse novo contexto. Na disciplina que precisaremos ter para nos desenvolver, de alguma forma, TODOS os dias.


E no meio de toda essa incerteza com velocidade exponencial o que MENOS vamos encontrar são respostas claras e absolutas para os desafios que teremos pela frente.


Não vai dar pra dar um Google para saber as soluções para os desafios de um mundo incerto, complexo, ambíguo e totalmente imprevisível.


Nao vamos conseguir dar as respostas de forma tão fácil para os desafios, interrelações e possibilidades que as novas tecnologias vão nos proporcionar.


E isso vai demandar uma mudança em nosso modelo mental. Precisaremos reaprender a ser exploradores de possibilidades, descobridores de oportunidades.


Algo que nossos antepassados sempre fizeram muito bem, mas que bloqueamos nos últimos 200 anos... 


Mas criamos o modelo industrial, massificado, previsível, repetitivo para criar produtos iguais para todos.


Esse modelo industrial gerou impactos na forma como aprendemos: disciplinas separadas, que não se conectam e nao se relacionam, o professor fala, dá as respostas, o aluno memoriza e repete as mesmas respostas na prova... 


Todo o modelo educacional que temos ainda hoje foi baseado em um processo linear e mecânico. Sem questionamentos dos dogmas apresentados pelos professores.


Conteúdos que nos estimulam a memorizar fórmulas, dados e fatos - que geram pouco interesse à maior parte dos alunos.


O mesmo ocorreu no processo de formação de liderança que temos hoje.


Informação e conhecimento como sinônimo de poder. Sem questionamentos.

O poder do crachá. O Gerente fala. O funcionário obedece.


Não que a experiência não será mais importante ou relevante. Mas, como falei, estamos entrando em uma era onde teremos mais perguntas do que respostas prontas para os desafios que vamos ter pela frente.


Onde o líder precisará atuar muito mais como alguém que vai facilitar esse processo, desbloquear caminhos e estimular o time a fazer perguntas e reflexões.


Assim, o time encontrará soluções para os novos desafios que já estão surgindo.


Um líder que valorizará a reflexão sobre o desenvolvimento de novas ideias e novos caminhos...


Com muita colaboração. Muita interação. Muitos questionamentos. Sem medo de errar.


Mas o que é possível ver em boa parte das organizações ainda é exatamente o oposto: Profissionais que não falam o que pensam. Pouquíssimo debate. Inovação em ritmo lento. Pouco engajamento. Muita razão e pouca emoção. Pouco propósito. Não há projeto comum.


Entretanto, uma nova visão de mundo está entrando em jogo.


Na era digital, o mundo é não-linear, incerto, multifacetado e imprevisível.


Fica fácil de perceber que vem mudança grande por aí... A propósito, muitas organizações já são formatadas desde a sua criação nesse sentido.


E outras que estão se movimentando para desenvolver seus líderes para atuar dessa forma.


Temos o poder de desenhar esses novos caminhos. Como?


Primeiro, entendendo que o modelo que nos fez chegar até aqui não será o mesmo que já está sendo demandado HOJE e será cada vez mais importante nos próximos anos.


E ter em mente que essa abordagem irá gerar impactos em diferentes aspectos:


Em nosso papel como profissionais.

Em nossa atuação como líderes.

Na forma como desenvolvemos nossos times.

Na criação de uma nova cultura nas empresas.


Em algumas empresas, tudo isso já começa a se transformar em realidade.

O que falta para acontecer na sua?

O que você pode fazer para liderar esse processo de mudança?


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