A pergunta mais importante de um plano estratégico (e que quase nunca é feita).

Eu participei de muitas sessões de planejamento ao longo da carreira, e quase sempre era aquele exercício que acontece em qualquer empresa...
Alguns dias fora do escritório, apresentações lindas, gráficos, projeções pra cinco anos. Horas discutindo quanto crescer e onde investir.
Mas quase nunca alguém levantava a mão pra fazer a pergunta mais importante:
"As bases da nossa estratégia ainda fazem sentido?"
Sabe por que isso acontece?
Porque a gente decide olhando pra trás, pro que funcionou no passado. E enquanto isso, os sinais de mudança estão batendo na porta e sendo ignorados.
O planejamento, que devia desafiar o status quo e preparar a empresa pra futuros possíveis, vira um exercício de alinhamento.
Um checklist anual.
É aquela planilha do ano passado com datas e valores atualizados.
E com tanta coisa mudando no mercado, é quase impossível que a sua empresa não seja impactada de alguma forma.
Então a pergunta que precisa ser feita primeiro não é: "Quanto a gente vai crescer?"
É: "O que precisa continuar sendo verdade pra gente conseguir crescer?"

Antes de definir metas, é preciso colocar perguntas incômodas na mesa.
✔️ Quais premissas da nossa estratégia de hoje podem deixar de valer amanhã?
✔️ Que futuro parece impensável hoje, mas, se acontecer em 2 ou 3 anos, muda completamente o nosso negócio?
E uma que quase ninguém faz:
✔️ O que faria os nossos melhores talentos não quererem mais trabalhar aqui?
Esse ano tenho provocado times executivos exatamente com esse tipo de pensamento e a reação é sempre parecida: primeiro desconforto, depois clareza.
Faça um teste rápido aí na sua empresa:
Antes da próxima sessão de planejamento, pede pra cada executivo escrever três coisas que a empresa trata como verdade absoluta.
Depois pergunta:
"O que acontece com a nossa estratégia se uma delas deixar de ser verdade daqui a 2 a 3 anos?"
Se ninguém sabe responder, já tem uma linha interessante de trabalho para fazer...
"Mas André, ninguém consegue prever o futuro."
Exatamente. Estratégia não é adivinhar o futuro. Não é futurologia.
É ler sinais concretos de mudança e se preparar antes do concorrente.
E tem um efeito colateral ótimo: quando a liderança começa a questionar premissas, ela cria uma cultura em que perguntar vale tanto quanto responder.
Empresa comum usa o planejamento pra decidir quanto crescer.
Empresa que constrói o futuro usa o planejamento pra questionar o que sempre foi verdade.
Porque o seu papel como líder não é adivinhar o futuro.
É fazer as perguntas que ninguém na sala tem coragem de fazer.
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Sobre o autor

André Souza é Fundador da FUTURO S/A.
Ao longo de sua carreira, André atuou como Executivo de RH em posições globais e regionais em grandes empresas como Bayer, Monsanto, Coca-Cola Company, Newell Brands e Nokia.
Nessas organizações, liderou equipes e projetos de transformação na América Latina, EUA, Europa, Oriente Médio e Ásia.
É formado em Administração pela UERJ e Mestre em Administração de Empresas pela PUC-Rio. Possui certificação internacional em "Futures Thinking" pelo Institute for the Future no Vale do Silício (EUA) e é Master Trainer pela StrategyTools na Noruega.
Também é palestrante e autor de 4 livros sobre Cultura, RH, Estratégia e Tendências.



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