Sua organização investiu em IA. Mas será que ela está gerando mais valor?

Sua empresa investiu em IA. Mas ela está tomando decisões mais rápido?
Está aumentando a produtividade?
Está reduzindo o tempo necessário para fazer o trabalho?
Está conseguindo crescer sem aumentar a estrutura na mesma proporção?
Está liberando seus melhores profissionais para atividades de maior valor?
Se a resposta ainda não está clara, talvez o problema não esteja na IA.
Talvez esteja na organização.
Porque uma coisa é colocar uma nova tecnologia dentro da empresa.
Outra, muito diferente, é mudar a forma como o trabalho acontece para capturar o valor que essa tecnologia tornou possível.Sua empresa comprou ferramentas de IA.
As equipes estão sendo treinadas.
Rodaram os pilotos...
Um agente consegue analisar um cenário, comparar alternativas e propor uma decisão em poucos segundos.
Mas e a tomada de decisão dentro da empresa?
Como fica?
Ainda vai esperar o comitê da próxima semana?
Vai passar pela aprovação do diretor ou do Presidente?
Entra na pauta da reunião do mês que vem?
Ou será alinhado depois com mais uma área?
Parece exagero, né?
Mas quantas decisões na sua empresa estão paradas agora, esperando uma reunião?
Essa semana, o Gabriel Amâncio, Diretor de Inovação da Unifique , maior empresa de telecom do Sul do Brasil e nossa cliente aqui na FUTURO S/A, publicou no LinkedIn uma reflexão que deu nome a esse incômodo:
Clock Drift.
A expressão veio de uma palestra de Neil Redding no IT Forum que rolou semana passada.
Resumindo o conceito, o Clock Drift é um descompasso entre a velocidade da tecnologia e a velocidade das organizações em mudar na mesma velocidade.
Abaixo o próprio Neil Redding fala do conceito em 1 minuto:
Ou seja: IA executa na velocidade das máquinas.
Mas a empresa decide na velocidade das pessoas.
E isso faz a gente viver hoje em um paradoxo nas organizações:
A tecnologia pode aumentar a velocidade do trabalho. Mas, se a organização continuar funcionando da mesma maneira, o resultado pode ser apenas uma versão mais rápida da ineficiência.
É esse descompasso que cria um dos grandes desafios da transformação com IA: a tecnologia avança, mas o valor não aparece automaticamente.
Na nossa experiência, esse é o verdadeiro Gap da Transformação e ele precisa ser fechado em quatro pilares: WORK, LEAD, CULTURE e CAPABILITY.
É essa jornada que temos construído com alguns clientes e que quero compartilhar com vocês a seguir.

Esse problema não é novo: a "Curva J da Produtividade"
Em primeiro lugar, esse fenômeno não começou com a Inteligência Artificial.
Toda tecnologia realmente transformadora cria novas possibilidades antes que as organizações estejam preparadas para aproveitá-las.
Foi assim com a eletricidade.
Depois, com os computadores.
Mais tarde, com a internet.
E agora estamos vivendo novamente esse fenômeno com a IA.
O problema é que existe uma tendência de imaginar que o valor aparece no momento em que a tecnologia é instalada.
Mas não funciona assim.
A pesquisa sobre a "Curva J da Produtividade" mostra justamente que tecnologias de propósito geral, como a IA, exigem investimentos complementares importantes:
Redesenho de processos,
Novos produtos e modelos de negócio,
Software,
Conhecimento
Capital humano.
Muitos desses investimentos são intangíveis e podem não aparecer imediatamente nas métricas tradicionais de produtividade.
Ou seja:
A tecnologia pode chegar hoje. Mas a organização necessária para extrair seu valor precisa ser construída.

Imagine uma empresa que adota IA para acelerar seu processo de tomada de decisão.
A tecnologia consegue analisar dados em segundos.
Gera recomendações.
Identifica padrões.
Produz cenários.
Mas a decisão continua dependendo de três reuniões, duas aprovações e uma reunião mensal do comitê executivo...
A IA ficou mais rápida.
Mas a organização, não.
O resultado? Uma parte do potencial da tecnologia fica presa dentro do modelo organizacional existente.
É justamente aí que aparece o que chamamos de Gap da Transformação.
E é aqui que a conversa sobre IA deixa de ser uma conversa sobre tecnologia.
E passa a ser uma conversa sobre negócio, organização e geração de valor.

O erro é imaginar que o desafio da IA é simplesmente fazer as pessoas aprenderem a usar a ferramenta.
Não é. O verdadeiro desafio é perguntar:
Que organização precisamos construir para trabalhar de uma maneira completamente diferente agora que essa tecnologia existe?
Talvez alguns processos precisem mudar.
Talvez as decisões precisem ser descentralizadas.
Talvez determinados cargos precisem ser redesenhados.
Talvez os líderes precisem deixar de controlar tarefas.
Talvez os times precisem ganhar mais autonomia.
Talvez novas capacidades precisem ser desenvolvidas.
Talvez a própria lógica de criação de valor precise ser repensada.
A IA não exige apenas novas ferramentas.
Ela pode exigir uma nova organização.
Os 4 pilares para fechar o Gap da Transformação
Na FUTURO S/A, organizamos essa transformação em quatro dimensões que precisam evoluir juntas:

WORK: Redesenhe o trabalho.
Quantas etapas uma decisão ainda precisa atravessar?
Quais podem ser descentralizadas, e com quais critérios?
Como organizar times multidisciplinares e rituais em torno do fluxo de valor, dentro da estrutura que você já tem?
LEAD: Reinvente a Liderança
Como sair do controle de tarefas para orquestrar contexto, direção estratégica e autonomia na ponta?
CULTURE: Autonomia, Agilidade e Accountability
Quais comportamentos, crenças e formas de reconhecimento sustentam mais autonomia, velocidade e responsabilidade?
CAPABILITY: Construa novas capacidades
Como acelerar a maturidade das equipes em pensamento crítico, julgamento humano e tomada de decisão, justamente o que a IA não substitui?
Mexer em um pilar só não resolve. Os quatro pilares precisam andar juntos
É aqui que muitas transformações falham..
Você pode redesenhar o trabalho sem mudar a liderança.
Pode mudar a liderança sem mudar a cultura.
Pode criar autonomia sem desenvolver a capacidade das equipes.
Pode treinar pessoas sem mudar o trabalho que elas realizam.
Mas nada disso, isoladamente, vai fechar o gap.
Porque transformação organizacional não é uma coleção de iniciativas.
É a construção de um novo sistema de trabalho.

A pergunta não é mais “Qual IA vamos contratar?”.
Essa pergunta continuará sendo importante.
Mas ela não é a mais estratégica hoje.
Porque, com o tempo, as mesmas tecnologias estarão disponíveis para cada vez mais empresas.
O diferencial estará no que cada organização fizer depois que a tecnologia estiver disponível.
A pergunta passa a ser:
"Como vamos reorganizar nossa forma de trabalhar, liderar, decidir e desenvolver novas capacidades para transformar essa tecnologia em valor?"
Essa é uma pergunta para o C-Level.
Não apenas para o CIO.
Não apenas para o RH.
Não apenas para a área de inovação.
Porque o Gap da Transformação não é um problema tecnológico.
É um problema organizacional.
Sobre o autor

André Souza é Fundador da FUTURO S/A.
Ao longo de sua carreira, André atuou como Executivo de RH em posições globais e regionais em grandes empresas como Bayer, Monsanto, Coca-Cola Company, Newell Brands e Nokia.
Nessas organizações, liderou equipes e projetos de transformação na América Latina, EUA, Europa, Oriente Médio e Ásia.
É "Future Thinker" pelo Institute for the Future no Vale do Silício (EUA) e é Master Trainer da StrategyTools na Noruega.
Também é palestrante e autor de 4 livros sobre Cultura, RH, Estratégia e Tendências.



Comentários