No mundo digital, a sua empresa é ponto, linha ou plano?



Todas as empresas estão buscando se tornar digitais. Mas o grande desafio é que muitas empresas iniciam essa jornada de transformação utilizando abordagens estratégicas tradicionais.


No passado, estratégia era quase sinônimo de planejamento estratégico: planos estáticos com a abordagem tradicional de analisar, planejar e executar. Mas, a revolução digital transformou o mundo dos negócios. Mudou a velocidade de rotação do mundo. Acelerou a tomada de decisão. Mudou conceitos e modelos.


No mundo atual, não é mais possível ter uma estratégia conectada a planos imutáveis.


Hoje e nos próximos anos, a estratégia demanda interação constante entre visão e ação. Requer feedback constante sobre os resultados de cada ação.


As empresas que não mudarem a forma como fazem suas estratégias terão muitas dificuldades em terem sucesso daqui pra frente.


O conceito das empresas inteligentes em um mundo em rede

Há uma abordagem muito interessante e super atual criada por Ming Zeng, que foi Estrategista-Chefe do Alibaba por mais de 10 anos. Uma abordagem mais adequada à velocidade e complexidade do mundo em que vivemos.


E principalmente: é uma forma poderosa de entendermos como a organização em que atuamos está posicionada em uma rede.


Ming Zeng, ex-Estrategista do Alibaba e Professor



Hoje as empresas fazem parte de uma rede interligada. Cada uma delas desempenha um papel nessa rede. Não existe um papel melhor ou pior. Existe o papel adequado à visão, à estratégia e à capacidade da empresa. (Ming Zeng)

Esse é o modelo proposto por Ming Zeng. Ele atualiza a abordagem estratégica tradicional considerando que pessoas e empresas nessa era digital e interconectada vivem em um ecossistema com três papéis:


Zeng chama esses papéis de ponto, linha e plano.


Mas qual seria a diferença entre esses papéis?


Empresas do tipo "ponto"

Os pontos são indivíduos ou empresas que possuem habilidades super especializadas, que entregam sua expertise de forma excepcional, mas que geralmente não conseguem sobreviver por conta própria.


São empresas de nicho que não possuem operações complexas.

Eles precisam da força da rede para que seus negócios tenham vida.


Exemplos de empresas do tipo "ponto" podem ser influenciadores digitais, pessoas que alugam suas casas no Airbnb e pequenas empresas em geral que precisam promover seus produtos e serviços nas redes sociais.


Empresas do tipo "linha"

As linhas controlam uma cadeia específica. São empresas tradicionais que coordenam diversas funções para criar um produto ou serviço.


Empresas B2C são exemplos clássicos de empresas do tipo "linha". Elas oferecem produtos e serviços diretos ao cliente, coordenando diversos pontos ao longo da cadeia.


Empresas do tipo "plano"

São plataformas que facilitam a operação de um ecossistema, onde empresas do tipo "ponto" e "linha" se conectam para formar uma grande rede interligada. Alibaba, Facebook ou Google são exemplos de empresas do tipo "plano".


O que as empresas do tipo "plano" têm em comum é que elas não vendem produtos e serviços no sentido tradicional. Sua proposta de valor é conectar, por exemplo:


  • compradores e vendedores (como por exemplo, o Alibaba).

  • usuários de busca e anúncios (Google)

  • usuários de rede social e informações (Facebook e Instagram).


A vantagem competitiva dessas empresas surge por meio da eficiência dessas conexões. O "produto" de uma empresa "plano" é um mercado. A missão de uma empresa "plano" é ser o "dono" esse mercado.


O grande desafio dessas empresas é atrair participantes dessa redes e ajudá-los a se interligarem uns aos outros.


A Magazine Luiza deixa de ser "linha" para se tornar "plano"


É o que, por exemplo, a Magazine Luiza tem como foco estratégico para os próximos anos. Em seu relatório para os acionistas de 2019, a empresa compartilha inclusive esses conceitos do ponto, linha e plano.


E deixa claro que sua visão a partir de 2018 é de se tornar uma empresa "plano", se tornando uma plataforma e deixando de ser uma empresa "linha".



Veja o que o diz o relatório aos acionistas de 2019 da Magalu:

"Durante 18 anos, nós, do Magalu, montamos um bem-sucedido modelo estratégico de linha. Nos tornamos uma empresa multicanal e lucrativa no ramo de bens duráveis. Mas, em 2018, decidimos que nosso formato nesse novo mundo seria o de plano. Passaríamos a ser um ecossistema, com foco em varejo."

Para a Magalu, o modelo parece estar caminhando muito bem.

As vendas em 2019 aumentaram 51%.

O ecommerce cresceu 93% e representa 48% das vendas totais.


Todos são importantes para que o ecossistema possa crescer


Observe que nesse modelo não importa a posição que a sua empresa ocupa na rede. Os três papéis são importantes e dependem das redes. Cada um deles tem um papel único e indispensável.


Na verdade, torna-se agora cada vez mais importante que as empresas saibam como se posicionar dentro da rede para aproveitar com eficácia os seus recursos.


Sua empresa pode ter o melhor produto ou serviço, mas se o seu concorrente souber como aproveitar a melhor forma de se posicionar dentro das redes, seu negócio pode ser superado.


Mas, em uma rede, quem é seu concorrente?


Um elemento interessante do modelo de Zeng é que empresas que estão em dimensões diferentes (ponto, linha e plano) não concorrem entre si.


Por exemplo: o Facebook (empresa "plano) compete com outras redes sociais, mas não compete com o negócio de uma fábrica, de influencer digital ou de uma pequena empresa (empresas ponto).


É possível mudar de dimensão?


Sim, e depende da visão, da estratégia e da capacidade de cada organização.

A estratégia da Magazine Luiza é um exemplo claro desse processo.


E a sua organização? Como se posiciona dentro do seu ecossistema?

Como disse antes, os três papeis de ponto, linha e plano são importantes e dependem um do outro para o ecossistema funcionar. Cada um deles tem um papel único e indispensável.


Tudo depende da visão da empresa, da sua estratégia e da sua capacidade para tirar melhor proveito dessa rede dentro do ecossistema.


Graças ao efeito das redes, cada elemento pode ser extremamente lucrativo e gerar milhões de reais em lucro - isso vale, inclusive, para empresas pequenas lideradas por apenas uma pessoa.

Torna-se agora cada vez mais importante que as empresas saibam como se posicionar muito bem dentro da rede para aproveitar com eficácia os seus recursos.


Sua empresa pode ter o melhor produto ou serviço, mas se o seu concorrente souber como aproveitar a melhor forma de se posicionar dentro das redes, seu negócio pode ser superado.


E então? Sua organização é ponto, linha ou plano?

E nos próximos anos, ela continuará sendo ponto, linha ou plano?


Não perca mais nenhum Post da Futuro S/A!

Se você curtiu esse post, assine a Newsletter da Futuro S/A para receber os novos posts diretamente em seu email. É super simples! Basta clicar aqui e registrar seu email.


Já leu o nosso Livro?

Segue o link para você conhecer mais. Ah! E você também pode fazer o download gratuito das primeiras páginas!

www.futurosa.com.br/livro



FALE CONOSCO

Todos os direitos reservados © 2019-2020

FUTURO S/A

  • LinkedIn Social Icon
  • Instagram Social Icon
  • YouTube Social  Icon